POLÍTICA
Os mecanismos de participação popular em Londrina
Eles podem não ser conhecidos pela maior parte da
população, mas continuam existindo e interferindo no poder público
Em
ano de eleição surgem também muitas perguntas, como por exemplo, como anda a
participação popular junto ao poder público e quais mecanismos podem servir
como ferramentas para que essa participação possa ser efetiva. Para que eleitor
possa acompanhar o que acontece no governo foi criado o Portal da
Transparência. Um site em que qualquer pessoa pode pesquisar dados detalhados
sobre a execução orçamentária e financeira do governo federal a atualização
desses dados é diária. São diferentes níveis de participação e quem podem ajudar
a fiscalizar e transformar a política.
Segundo
o jornalista político, Fábio Silveira, Londrina tem mecanismos de participação
institucionalizados. Como, por exemplo, os Conselhos Municipais, que permitem a
discussão sobre aquele determinado setor. “Esse é um canal de partição que
engloba os setores organizados da sociedade e envolvem todos os tipos de
representações”, explica. Ele cita o Conselho Municipal de Saúde que tem desde
médicos a usuários. Já que para ele dar voz a todos é principio da democracia.
Silveira
citou também os Grêmios Estudantis, Centros Acadêmicos, ONGs etc. Ele afirma
que no caso das ONGs, existem pessoas que se unem em torno de uma mesma causa,
discutindo assuntos que afetam determinado setor e depois chegam ao setor
público ajudando implantar leis e que isso é importante. “A SOS Vida Animal
discute o abandono de animais, que é um problema sério em nossa cidade. Eles
podem estabelecer um debate para a criação de um Centro de Zoonoses em
Londrina, por isso é importante que haja esse tipo de mobilização”, afirma.
Segundo
o jornalista, a sociedade brasileira carece de um pouco mais de organização, e
que a maioria das pessoas está em um estado de apatia que impede que a
participação aconteça. E que alguns teóricos do século passado já colocavam
justamente essa apatia popular como principal combustível para o totalitarismo.
Questionado
sobre o papel da mídia nesse processo, ele afirma não acreditar que ela exerça
poder absoluto nos rumos da sociedade. Mas que pode através de campanhas
institucionais estimular que essa participação aconteça. “O principal papel da
mídia é levar a informação, porque se o cidadão ver que aquilo de fato afeta
sua vida pode começar a se organizar e assim cobrar soluções”, diz. Para ele o
principal perigo é a fusão de informação com entretenimento, mais conhecido
como infotenimento, ou seja, entretenimento travestido de jornalismo. Mas se
cada um estiver em seu devido lugar não haveria problema algum.
Internet
como instrumento de participação
De
que formas essa ferramenta pode contribuir para mobilização e participação na
política
O
jornalista está desenvolvendo um trabalho em sua especialização sobre filosofia
política, em que ele também discute a importância da internet na organização
popular. Para ele a internet tem potencial para se tornar um forte mecanismo nesse
processo. O ponto que ele destaca é a pluralidade que esse meio de informação
pode trazer. “Existe uma concentração muito forte quando ouvimos uma
determinada informação, já que temos agencias que dominam esse setor. Já na
internet diante de um mesmo fato temos diversas opiniões, versões e visões de
mundo. Isso é importante para obtermos nossa própria opinião”, afirma.
Para
ele isso esse mecanismo só não é interessante quando indivíduos que tem a
possibilidade do anonimato usam essa ferramenta para espalhar o preconceito,
mas que isso é algo difícil de ser controlado. Ele acha negativo também o que
ele classifica como “indignados de internet”. Apenas postar algo sobre um
assunto e achar que sua participação termina ali. “Esse movimento não substitui
as manifestações de rua. Podemos começar a manifestação na internet, mas ela
deve ser levada para vida real, somente assim teremos soluções reais”, explica.
Já
para as próximas eleições ela não acredita que teremos mudanças significativas.
Porque no Brasil existe a política de votar hoje e amanhã esquecer em que
votou. Não existe um critério ao votar, como avaliar os antecedentes do
candidato escolhido, se suas propostas e ideias estão de acordo com as suas. “É
muito interessante as lideranças comunitárias, por exemplo, que podem estimular
debates e a busca por soluções. As pessoas que tem um histórico político entrar
nesse sistema e poder contribuir para a política de um modo geral”, afirma. Mas
que para a maioria das pessoas o fato de ser político não está ligado a um
histórico de militância. Hoje quem está famoso por qualquer motivo se acha
capaz de se candidatar e mais do que isso, consegue se eleger.
Lideranças
comunitárias acreditam na participação
Eles
falam das dificuldades, mas também das conquistas que já tiveram em seus
bairros
O
presidente do Jardim Monte Cristo, Valter Martins dos Santos, acredita que
realmente os lideres comunitários perderam sua força, mas ele se diz empenhado
em ajudar a resolver os problemas da comunidade. “Os moradores me falam em
reuniões os principais problemas e eu procuro ir até a prefeitura e tentar
discutir e principalmente buscar soluções”, afirma. Pra ele o cidadão deve
olhar para a política como parte de seu dia a dia e estar sempre atento
principalmente em quem votou.
Ele
afirma que as principais reivindicações estão ligadas aos setores de saúde,
educação e moradia. E que tenta ser um canal entre essas pessoas e o poder
público, já que elas muitas vezes devido ao trabalho não podem estar tão
envolvidos. Esse é segundo ele, o principal trabalho de quem se propõe a esse
cargo. “Nós não podemos desistir de ter um local digno para viver, já que temos
direitos e deveres podemos cobrar nossos direitos sempre que ele for violado”,
diz.
Segundo
Martins, os moradores já tiveram muitas vitórias dentro do bairro, porque quem
vê o Jardim Monte Cristo hoje não imagina o quanto a situação já esteve pior.
Falta de escola, postos de saúde, asfalto etc. Mas que ainda está longe de ser
um lugar ideal para se viver. Para ele a população deveria enxergar nessas
necessidades a possibilidade de luta por condições melhores. “Se todos nos
unirmos por uma única causa teremos não só um bairro melhor, mas uma sociedade
melhor”, afirma.
Rosalina
Batista é presidente da Associação de Mulheres Batalhadoras do Jardim
Franciscato. Ela é um exemplo de liderança comunitária, porque já foi bóia fria
e empregada doméstica, mas se diz consciente de seus diretos. E foi graças a
muitas batalhas que ela recebeu o Diploma de Reconhecimento Público pela Câmera
de vereadores de Londrina. Já esteve também em Miame, Estados Unidos, em um
congresso internacional sobre o desenvolvimento de lideranças comunitárias.
Além de ter sua biografia publicada.
Ela
também acredita que ainda falta a participação popular de maneira mais efetiva.
“Eu já consegui alcançar tantas coisas para nosso bairro. Imagine se mais
pessoas também estivem interessadas em participar, afirma. Segundo Rosalina,
existem várias formas de participação popular, mas as pessoas precisam conhecê-las
e acreditar que se cada um fizer um pouco poderíamos obter conquistas.