quinta-feira, 13 de setembro de 2012





POLÍTICA

Os mecanismos de participação popular em Londrina

Eles podem não ser conhecidos pela maior parte da população, mas continuam existindo e interferindo no poder público

Em ano de eleição surgem também muitas perguntas, como por exemplo, como anda a participação popular junto ao poder público e quais mecanismos podem servir como ferramentas para que essa participação possa ser efetiva. Para que eleitor possa acompanhar o que acontece no governo foi criado o Portal da Transparência. Um site em que qualquer pessoa pode pesquisar dados detalhados sobre a execução orçamentária e financeira do governo federal a atualização desses dados é diária. São diferentes níveis de participação e quem podem ajudar a fiscalizar e transformar a política.

Segundo o jornalista político, Fábio Silveira, Londrina tem mecanismos de participação institucionalizados. Como, por exemplo, os Conselhos Municipais, que permitem a discussão sobre aquele determinado setor. “Esse é um canal de partição que engloba os setores organizados da sociedade e envolvem todos os tipos de representações”, explica. Ele cita o Conselho Municipal de Saúde que tem desde médicos a usuários. Já que para ele dar voz a todos é principio da democracia.

Silveira citou também os Grêmios Estudantis, Centros Acadêmicos, ONGs etc. Ele afirma que no caso das ONGs, existem pessoas que se unem em torno de uma mesma causa, discutindo assuntos que afetam determinado setor e depois chegam ao setor público ajudando implantar leis e que isso é importante. “A SOS Vida Animal discute o abandono de animais, que é um problema sério em nossa cidade. Eles podem estabelecer um debate para a criação de um Centro de Zoonoses em Londrina, por isso é importante que haja esse tipo de mobilização”, afirma.

Segundo o jornalista, a sociedade brasileira carece de um pouco mais de organização, e que a maioria das pessoas está em um estado de apatia que impede que a participação aconteça. E que alguns teóricos do século passado já colocavam justamente essa apatia popular como principal combustível para o totalitarismo.

Questionado sobre o papel da mídia nesse processo, ele afirma não acreditar que ela exerça poder absoluto nos rumos da sociedade. Mas que pode através de campanhas institucionais estimular que essa participação aconteça. “O principal papel da mídia é levar a informação, porque se o cidadão ver que aquilo de fato afeta sua vida pode começar a se organizar e assim cobrar soluções”, diz. Para ele o principal perigo é a fusão de informação com entretenimento, mais conhecido como infotenimento, ou seja, entretenimento travestido de jornalismo. Mas se cada um estiver em seu devido lugar não haveria problema algum.

Internet como instrumento de participação

De que formas essa ferramenta pode contribuir para mobilização e participação na política

O jornalista está desenvolvendo um trabalho em sua especialização sobre filosofia política, em que ele também discute a importância da internet na organização popular. Para ele a internet tem potencial para se tornar um forte mecanismo nesse processo. O ponto que ele destaca é a pluralidade que esse meio de informação pode trazer. “Existe uma concentração muito forte quando ouvimos uma determinada informação, já que temos agencias que dominam esse setor. Já na internet diante de um mesmo fato temos diversas opiniões, versões e visões de mundo. Isso é importante para obtermos nossa própria opinião”, afirma.

Para ele isso esse mecanismo só não é interessante quando indivíduos que tem a possibilidade do anonimato usam essa ferramenta para espalhar o preconceito, mas que isso é algo difícil de ser controlado. Ele acha negativo também o que ele classifica como “indignados de internet”. Apenas postar algo sobre um assunto e achar que sua participação termina ali. “Esse movimento não substitui as manifestações de rua. Podemos começar a manifestação na internet, mas ela deve ser levada para vida real, somente assim teremos soluções reais”, explica.

Já para as próximas eleições ela não acredita que teremos mudanças significativas. Porque no Brasil existe a política de votar hoje e amanhã esquecer em que votou. Não existe um critério ao votar, como avaliar os antecedentes do candidato escolhido, se suas propostas e ideias estão de acordo com as suas. “É muito interessante as lideranças comunitárias, por exemplo, que podem estimular debates e a busca por soluções. As pessoas que tem um histórico político entrar nesse sistema e poder contribuir para a política de um modo geral”, afirma. Mas que para a maioria das pessoas o fato de ser político não está ligado a um histórico de militância. Hoje quem está famoso por qualquer motivo se acha capaz de se candidatar e mais do que isso, consegue se eleger.

Lideranças comunitárias acreditam na participação
Eles falam das dificuldades, mas também das conquistas que já tiveram em seus bairros

O presidente do Jardim Monte Cristo, Valter Martins dos Santos, acredita que realmente os lideres comunitários perderam sua força, mas ele se diz empenhado em ajudar a resolver os problemas da comunidade. “Os moradores me falam em reuniões os principais problemas e eu procuro ir até a prefeitura e tentar discutir e principalmente buscar soluções”, afirma. Pra ele o cidadão deve olhar para a política como parte de seu dia a dia e estar sempre atento principalmente em quem votou.

Ele afirma que as principais reivindicações estão ligadas aos setores de saúde, educação e moradia. E que tenta ser um canal entre essas pessoas e o poder público, já que elas muitas vezes devido ao trabalho não podem estar tão envolvidos. Esse é segundo ele, o principal trabalho de quem se propõe a esse cargo. “Nós não podemos desistir de ter um local digno para viver, já que temos direitos e deveres podemos cobrar nossos direitos sempre que ele for violado”, diz.

Segundo Martins, os moradores já tiveram muitas vitórias dentro do bairro, porque quem vê o Jardim Monte Cristo hoje não imagina o quanto a situação já esteve pior. Falta de escola, postos de saúde, asfalto etc. Mas que ainda está longe de ser um lugar ideal para se viver. Para ele a população deveria enxergar nessas necessidades a possibilidade de luta por condições melhores. “Se todos nos unirmos por uma única causa teremos não só um bairro melhor, mas uma sociedade melhor”, afirma.  

Rosalina Batista é presidente da Associação de Mulheres Batalhadoras do Jardim Franciscato. Ela é um exemplo de liderança comunitária, porque já foi bóia fria e empregada doméstica, mas se diz consciente de seus diretos. E foi graças a muitas batalhas que ela recebeu o Diploma de Reconhecimento Público pela Câmera de vereadores de Londrina. Já esteve também em Miame, Estados Unidos, em um congresso internacional sobre o desenvolvimento de lideranças comunitárias. Além de ter sua biografia publicada.

Ela também acredita que ainda falta a participação popular de maneira mais efetiva. “Eu já consegui alcançar tantas coisas para nosso bairro. Imagine se mais pessoas também estivem interessadas em participar, afirma. Segundo Rosalina, existem várias formas de participação popular, mas as pessoas precisam conhecê-las e acreditar que se cada um fizer um pouco poderíamos obter conquistas.




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