Filhos
Pensamentos Moldados
Quando somos crianças
nosso sobrenome é liberdade. Fazemos tudo que queremos fazer, dizemos tudo que
queremos dizer e cada coisa pequenininha se torna imensa e especial aos nossos
olhos. Mas aos poucos os pais vão podando essa forma de viver. Menino você não pode
fazer isso, menina você não pode fazer aquilo. Esse é de fato o dever dois
pais, mas educar é algo completamente diferente de moldar. Moldar seu filho
para ser igual a todo mundo e não se destacar na multidão.
Aí chega a hora de
frequentar a escola, onde temos horário para tudo, sentamos enfileirados,
aprendemos a respeitar o governo e aprendemos que revolução é baderna. E assim
vamos crescendo sem achar nada disso absurdo. Somos pessoas totalmente acomodadas
e não fazemos questionamentos.
Paulo Coelho, em seu livro
“Verônica Decide Morrer”, nos traz um questionamento, será que quem está em um
hospício por ser considerado louco por ter quebrado as regras de uma sociedade
previamente moldada, ou nós que vivemos aqui fora acreditando em uma falsa
liberdade é que estamos malucos?
Um exemplo engraçado,
porém simples para ilustrar tal situação, é a história de uma moça que para
fazer o peixe tinha que arrancar a cabeça. Um dia quando questionada pelo filho,
o porquê de tal atitude, não soube responder. Ela resolveu ligar para sua mãe e
a resposta lhe surpreendeu: “Minha filha, eu só fazia isso porque a forma era
pequena demais”. Foi então que ela percebeu quantas coisas fazia em sua vida
ligada no automático sem ao menos questionar.
Eu sou uma mãe um pouco
diferente, educo sim, mas não dizendo é assim e você nem pode sequer questionar. Adoro
quando minha filha Sofia me questiona, quando ela se impõe. Eu poderia
simplesmente tentar muda-la e acabar com suas mini revoluções, mas eu quero que
ela questione o que está esquematizado, quero que ela se destaque e não seja
apenas mais uma.
Esses dias eu acordei e ela
estava com um maiô por cima da blusa e de bota. Quando vi me assustei, mas não
disse para ela tirar porque era feio, ela parecia tão feliz. Ela mesma tinha
criado aquilo, para ela estava bonito, quem define o que é bonito ou feio? Por
isso, ela está se tornando muito crítica e questionadora com apenas três anos,
quase quatro.
O que vejo é uma sucessão
de erros, os pais são criados de uma forma e acabam repassando para os filhos e
assim sucessivamente. Nós precisamos burlar o sistema e mostrar que quem faz um
país são as pessoas coletivamente, mas que somos pessoas únicas, cada qual com
suas particularidades. Eu não preciso gostar de determinada coisa só porque
todo mundo gosta, eu preciso me descobrir para depois descobrir o mundo.

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