sexta-feira, 14 de setembro de 2012





Filhos

Pensamentos Moldados

Quando somos crianças nosso sobrenome é liberdade. Fazemos tudo que queremos fazer, dizemos tudo que queremos dizer e cada coisa pequenininha se torna imensa e especial aos nossos olhos. Mas aos poucos os pais vão podando essa forma de viver. Menino você não pode fazer isso, menina você não pode fazer aquilo. Esse é de fato o dever dois pais, mas educar é algo completamente diferente de moldar. Moldar seu filho para ser igual a todo mundo e não se destacar na multidão.

Aí chega a hora de frequentar a escola, onde temos horário para tudo, sentamos enfileirados, aprendemos a respeitar o governo e aprendemos que revolução é baderna. E assim vamos crescendo sem achar nada disso absurdo. Somos pessoas totalmente acomodadas e não fazemos questionamentos.
Paulo Coelho, em seu livro “Verônica Decide Morrer”, nos traz um questionamento, será que quem está em um hospício por ser considerado louco por ter quebrado as regras de uma sociedade previamente moldada, ou nós que vivemos aqui fora acreditando em uma falsa liberdade é que estamos malucos?

Um exemplo engraçado, porém simples para ilustrar tal situação, é a história de uma moça que para fazer o peixe tinha que arrancar a cabeça. Um dia quando questionada pelo filho, o porquê de tal atitude, não soube responder. Ela resolveu ligar para sua mãe e a resposta lhe surpreendeu: “Minha filha, eu só fazia isso porque a forma era pequena demais”. Foi então que ela percebeu quantas coisas fazia em sua vida ligada no automático sem ao menos questionar.

Eu sou uma mãe um pouco diferente, educo sim, mas não dizendo é assim  e você nem pode sequer questionar. Adoro quando minha filha Sofia me questiona, quando ela se impõe. Eu poderia simplesmente tentar muda-la e acabar com suas mini revoluções, mas eu quero que ela questione o que está esquematizado, quero que ela se destaque e não seja apenas mais uma.

Esses dias eu acordei e ela estava com um maiô por cima da blusa e de bota. Quando vi me assustei, mas não disse para ela tirar porque era feio, ela parecia tão feliz. Ela mesma tinha criado aquilo, para ela estava bonito, quem define o que é bonito ou feio? Por isso, ela está se tornando muito crítica e questionadora com apenas três anos, quase quatro.

O que vejo é uma sucessão de erros, os pais são criados de uma forma e acabam repassando para os filhos e assim sucessivamente. Nós precisamos burlar o sistema e mostrar que quem faz um país são as pessoas coletivamente, mas que somos pessoas únicas, cada qual com suas particularidades. Eu não preciso gostar de determinada coisa só porque todo mundo gosta, eu preciso me descobrir para depois descobrir o mundo.

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