quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Igreja inclusiva prega o fim do preconceito





Em Londrina já existe uma sede da igreja que acolhe e prega o amor de Deus aos homossexuais

Imagine ser criado sob uma doutrina religiosa que considere a orientação sexual de determinados fiéis um pecado e afirme que aquela pessoa não é digna do amor de Deus? Os homossexuais enfrentam este tipo de discurso e preconceito. Mas, hoje já existem igrejas inclusivas nas quais essas pessoas são acolhidas. Em Londrina, em uma área movimentada da cidade, uma destas denominações religiosas funciona em uma casa e que recebem quem foi abandonado pela família, mas que segundo eles, não foi esquecido por Deus.


O pastor Marcos de Lima, conta que quando resolveu assumir a sua sexualidade automaticamente deligou-se do ministério porque sabia que a igreja não iria aceitar um pastor homossexual. Segundo ele, os membros que se declaravam gays ou eram descobertos imediatamente sofriam um processo de exclusão. O nome da pessoas era divulgado no púlpito da igreja para todos os fiéis.


Ele também pediu o divórcio de sua esposa, explicando o motivo. Mas, resolveu não anunciar à igreja porque não queria passar por constrangimentos e, além disso, tinha medo de perder a família e os filhos. “Aconteceram outros casos de homossexualidade na igreja e eu fiquei revoltado com a forma que essas pessoas foram tratadas, então, resolvi pedir meu afastamento definitivo”, conta.


De acordo com Lima, após conhecer seu atual companheiro eles nunca deixaram de frequentar a igreja, mesmo sem dizer a ninguém que eram gays. Um tempo depois ele ficou doente e no leito do hospital descobriu que ainda poderia fazer algo por Deus e também pelos homossexuais. Após sua recuperação ele ainda não tinha a intenção de abrir uma Igreja, mas a ideia de ter um grupo de oração surgiu depois de relatos de dificuldades e preconceitos sofridos por vários homossexuais. “Filhos que foram postos para fora de casa porque foram descobertos por suas famílias e se sentem perdidos e que precisavam de apoio”, disse.


A partir do grupo de oração o trabalho se expandiu  e hoje são mais de 40 membros que se reúnem sob o comando do pastor. No início, o grupo não sabia como criar uma igreja inclusiva, mas a Cidade Refúgio, de São Paulo. Eles fizeram uma visita e perceberam que os preceitos eram semelhantes com os deles juntaram-se a essa comunidade e hoje podem ser reconhecidos com uma igreja.


O pastor conta que nunca viu e sentiu tanta alegria como ele vê em sua atual igreja. “As pessoas chegam totalmente desacreditadas, decepcionadas, são colocadas no corredor da morte sem saber ao menos o porquê”, afirma. Lima explica que essas pessoas entram em uma crise existencial, tendo que escolher entre a felicidade delas mesmas e a dos pais, mas através da igreja elas descobrem que Deus não faz distinção de pessoas.


Um dos frequentadores dos cultos é Alvaro Subtil. Ele acredita que as igrejas são repressivas em relação aos homossexuais e na igreja inclusiva ele descobriu que não estava esquecido. Ele acredita que a igreja contribuiu para que seu pai, com quem não conversava há anos, o aceitasse e recentemente convidasse ele e seu companheiro para um almoço em família. “Deus é um só para todos, e é muito importante levar sua palavra ao coração de qualquer pessoa”, afirma.

Jovens homossexuais cometem mais suicídios
Por conta do preconceito muitos homossexuais não conseguem lidar com a situação e acabam com a própria vida


O pastor Marcos de Lima conta que para seus antigos amigos ele não é mais considerado pastor. Ele já recebeu ameaças de que vão depredar a casa onde acontecem os encontros, incendiar o local e agredi-lo na rua. Para ele, o mais intrigante é que a maioria dessas ameaças parte de evangélicos, mas mesmo com tudo isso ele não se sente abalado ou pensa em desistir. ”Uma vez uma família descobriu que seu filho fazia parte da igreja e vieram tirar satisfações comigo. Eu disse que aqui temos um culto como qualquer outro e o quanto nós amparamos seu filho”, disse.


Um estudo recente coordenado pelo pesquisador Mark Hatzenbuehler, avaliou 32 mil estudantes de ensino médio em Oregon, uma das regiões mais conservadoras dos Estados Unidos.  Os resultados dessa pesquisa foram alarmantes, e apontaram que os homossexuais tem até cinco vezes mais chances de cometer suicídio do que os heterossexuais.

A igreja também promove casamentos religiosos
Apesar de já se ter o direito da união estável previsto em lei, eles ainda sonham com a cerimônia religiosa


O pastor Marcos de Lima considera importante que o casamento entre pessoas do mesmo sexo também seja abençoado. Ele comenta que a maioria das pessoas considera que os homossexuais são promíscuos, mas isto é um preconceito. “Conheço muitos homens casados que saem com gays, mas dizem que só querem quebrar a rotina”, garante.


Para ele são muitas as pessoas que amaldiçoam essa relação. Quando realizou sua união estável procurou uma igreja que pudesse abençoar seu casamento e não encontrou ninguém que estivesse disposto a fazer a cerimônia. “É um sonho que a gente tem, eu ainda quero fazer o meu casamento na igreja porque para mim casamento não se resume a assinar um papel. Por isso, vou continuar fazendo a cerimônia religiosa”, explica.


Tiago Sene ao lado de seu companheiro Kleber Rodrigo Tomiotto, conta que sempre foi evangélico, mas que ele e seu parceiro frequentavam a igreja sem que todos soubessem de sua relação. “Conhecemos a igreja inclusiva pela internet. Aqui nós somos bem tratados e, principalmente, não precisamos mais fingir. Além de ser uma igreja séria que presa os valores bíblicos”, afirma.


Ele conta que foram o primeiro casal a fazer o casamento religioso dentro da igreja e mesmo tendo a união estável queriam ter o casamento abençoado. “Logo que chegamos à igreja o pastor disse que nós deveríamos nos casar, mas nós achávamos que nunca teríamos essa cerimônia. Foi Deus quem abriu todas as portas e nós conseguimos”, disse.

2 comentários:

  1. Estapafúrdio criar uma igreja inclusiva (exclusiva) para gays, é o relativismo atingindo seu ápice. Poderíamos criar uma igreja inclusiva para negros, nordestinos, alemães, garis, motoristas, presidiários, funcionários públicos... Tem matriz pentecostal, o que piora a situação e torna-os ainda mais fanáticos. Creio ser necessário um trabalho com homossexuais, sua condição psico-afetiva é constantemente interpelada pelos valores e padrões sociais, sobretudo, na mudança de época que estamos vivendo. Mas isso só pode ser edificador se pautado pela harmônia sempre saudável do entendimento e afeto, não trabalhar o psiquismo pentecostal que é um rolo compressor na condição existencial do indivíduo.

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  2. Em primeiro lugar gostaria de dizer que é uma igreja inclusiva sim. Isso porque muitas pessoas que não são gays frequentam. Todas essas pessoas que você citou já podem frequentar igrejas normalmente, já essas pessoas foram excluídas por sua opção sexual. Eu respeito sua opinião, já sabia que alguns leitores iriam se opor, e como você foi educado ao se posicionar eu agradeço seu comentário. Sou estudante de jornalismo, e acredito que a liberdade de expressão é o maior bem conquistado pelos cidadãos. Obrigada!

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