Em
ano de eleição destaca-se a importância de votar, mas não a importância de
utilizar o voto como instrumento de transformação
Mais um ano de eleição, e
mais uma vez me pergunto se haverá mudanças. Isso porque a cada dia que passa
parece que as pessoas estão cada vez mais distantes de um debate político e de
se interessarem por assuntos que realmente importam para que a fome, a falta de
igualdade, o abandono de nossas crianças dentre outras coisas, sejam colocados
em pauta.
Parece que as pessoas não
percebem o poder que tem em suas mãos. Concordo com Pedrinho Guareschi, quando
ele afirma que votar é a expressão mínima de cidadania. Mas que a participação
popular não se resume apenas a esse processo. O cidadão vota de quatro em
quatro anos e depois não se lembra ao menos quem foi o candidato escolhido. A
participação vai muito além disso e ela só acontece quando as pessoas param de
se preocupar apenas com os seus problemas e passam a pensar em uma população
como um todo.
Com a globalização, tivemos
de fato a massificação das ideias, pois os indivíduos parecem estar cada vez
mais envolvidos nas teias do capitalismo e cada vez mais adeptos dos produtos simbólicos
fabricados pela mídia. Essa globalização me soa um tanto estranha, já que essas mesmas pessoas estão cada vez
mais individualistas e cada vez mais longe de se unirem em um pensamento de
libertação e a construção de um realidade digna para todos.
Hoje já existem diversas formas
de representação popular como, por exemplo, os conselhos municipais, em que
parte de seus integrantes são cidadãos comuns, mas que utilizam determinados
serviços e podem através de seu voto definir os rumos da saúde, educação, assistência
social dentre outras coisas. Mas muitas pessoas não conhecem esses conselhos,
sendo que palavras que são jogadas ao vento com o intuito de criticar o
governo, poderiam ser ditas de maneira formal e dessa forma provocando mudanças
significativas.
Outro exemplo é o
Orçamento Participativo, em que o cidadão pode decidir onde serão investidos os
recursos públicos. Todos os anos são chamadas pessoas para que sejam debatidas
as prioridades de seus respectivos municípios. Há a eleição de delegados,
representantes, para que o projeto seja executado. Esse é de fato um dos maiores instrumentos de
participação popular, considerado pela Organização das Nações Unidas (ONU), uma
das 40 melhores práticas de gestão publica urbana no mundo.
Esses são somente alguns
exemplos de instrumentos de mudança, pelos quais os cidadãos poderiam se
interessar em conhecer, mas eles estão condicionadas a pensar que simplesmente
algumas pessoas nasceram privilegiadas e com o direito de serem felizes,
enquanto outras são condenadas a viver na miséria sem o direito de sequer
tentar alterar essa realidade. Talvez esteja aí o problema, somos conformados
demais.
Aí entra o papel da mídia
nesse processo. O jornalista Marcelo Canellas afirma que o jornalismo poderia
agir de forma mais efetiva, não se resumindo a falar dos mesmos temas e do
mesmo tipo de enfoque, ressaltando sempre escândalos e denúncias de nossos
políticos, deixando de mostrar questões que realmente importam e que
estimulariam as pessoas num processo de mudança.
O jeito que a mídia
retrata assuntos como fome, morte, desastres ambientais etc. Faz com que aquilo
seja encarado como banal, algo que está presente em nossa sociedade, mas senão
me atinge, não é um problema meu. Talvez por isso as pessoas votem sem a
consciência necessária.
Estamos pensando apenas no
hoje e no agora. Não consigo acreditar que algumas pessoas vendem seus votos
por cestas básicas que vão acabar em menos de um mês e depois que seu candidato
é eleito voltam a passar forme, mas nas eleições seguintes simplesmente se
esquecem desse fato e voltam a cometer o mesmo erro. Mas porque esse cidadão
não consegue pensar em ter um emprego e através de seu próprio trabalho
conquistar não só comida e sim todos seus direitos básicos previstos na
Constituição Brasileira, e que muitos deles desconhecem?
O conformismo tomou conta
de nossa sociedade. Eu queria acreditar
que nessas eleições teremos mudanças, mas infelizmente isso está longe
de acontecer. Isso porque a maioria das pessoas não está interessada.
Principalmente esse minoria que está sendo beneficiada nesse processo.
E os engravatados então?
Esses querem mesmo que o povo jamais descubra a sua força e sua capacidade de
transformação. Afinal de contas para eles está tudo bem, pois não utilizam
saúde pública, educação pública...enfim nada público. Que intrigante não? Será
que eles perceberam que para ter saúde de qualidade eles precisam procurar um
plano. Ou para que seus filhos tenha uma boa educação e possam ingressar em uma
faculdade precisam estudar em colégios particulares. É, agora só faltam os
eleitores se darem conta disso.
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