Esses dias eu vi uma matéria
no Jornal da Record, que me entristeceu. Sim, porque apesar de tanta tragédia
que nós vemos todos os dias, eu continuo me comovendo e não acreditando que nós, cidadãos, permitimos que certas coisas aconteçam. Trata-se de dois jovens que, pilotando uma moto, tentarão assaltar outro rapaz que era policial. Ela
conseguiu reagir e acabou matando um dos bandidos.
Que cena mais corriqueira,
não é? Mas é que quando vemos um bandido morto não pensamos o que a família
dele está sentindo. Nesta matéria eu vi. O pai do jovem morto
chegou ao local e pediu desculpas ao policial que havia matado seu próprio
filho. Desculpas?! Talvez porque ele se sentiu culpado por não ter dado uma boa
educação para aquele jovem. Dizem que ver o filho morrer é morrer um pouco de
nós. Vi aquele homem sentado na calçada, vendo o IML fazer seu trabalho,
levando seu filho envolto em um plástico preto. O mesmo filho que ele viu
nascer.
O que eu vejo é uma
população revoltada, mas muitas vezes ela só pensa no imediato. Isso porque, as
pessoas clamam por justiça, dizendo que bandido bom é bandido morto, mas e se
fosse seu filho? O povo não luta pelos direitos de uma vida digna e com
educação de qualidade, para que nem os jovens que vivem na criminalidade, nem
as pessoas de bem percam suas vidas.
Vários veículos de imprensa
fazem matérias de como você deve se proteger de um roubo. Mas o que falta são
matérias que façam a população além de cobrar por segurança, também cobrar por
um ensino digno, com maior valorização dos professores e com uma estrutura de
escola decente. Levar a música para essas crianças, além de outros projetos
culturais, mostrar um novo caminho para quem teve só coisas ruins para se
basear e seguir o exemplo.
A mídia precisa mostrar
também, que não existe o lado bom e o lado ruim da sociedade, e que nós devemos
caminhar juntos se quisermos que haja mudanças. Esses programas policiais, por
exemplo, sempre humilham e usam indevidamente a imagem das pessoas. Deve ser
porque eles tem certeza que esses jovens não terão dinheiro para pagar um
advogado e processar a emissora que descumpre a lei. Todos somos seres humanos,
mas muita gente se esquece disso, se sua vida está boa, então para que se
preocupar? Até que um dia um desses jovens cruza seu caminho e o ciclo se
cumpre novamente.
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