Resenha Crítica sobre o Documentário War photographer
O Documentário War photographer nos traz uma visão clara e objetiva da vida de um fotógrafo, tanto da beleza dessa carreira (de suma importância para a sociedade), quanto dos pesares, devido ao abalo emocional que ela pode trazer a esse profissional. Mostrando que ele age como um vetor para que as pessoas conheçam através da lente de sua câmera um mundo que muitas vezes é esquecido pela sociedade.
O filme nos conta a história de James Nachtwey, um fotojornalista americano, que cobriu vários conflitos armados nas últimas décadas. O fotógrafo foi tocado pelas fotos da Guerra do Vietnã, elas tiveram grande influencia na escolha de sua profissão.
Em uma das primeiras cenas, ele fotografa uma mãe chorando a morte de seu filho, demonstrando a força que suas imagens possuem e o quanto ele estava próximo da situação, mas que não poderia interferir. Apenas registrar o momento tão doloroso para aquela mulher, essa é a verdadeira face da guerra, sofrimento, lágrimas e morte.
Na Somália ele faz imagens, que servem de alerta para o mundo. Pessoas estão morrendo e o capitalismo só se preocupa em lucrar. Onde está a compaixão das pessoas? Por que o mundo não olha para eles? Aquelas pessoas já passaram do limite da pobreza, aliás, ultrapassaram o limite da dignidade humana. James queria mostrar isso para todos. Mas hoje, infelizmente, as pessoas estão cada vez mais individualistas. O ter se sobressai ao ser.
Um ponto muito importante e que merece destaque é que a televisão não mostra essa situação, daí a importância do fotógrafo. Foi assim na Guerra do Vietnã, pois o fotodocumentarismo trouxe a realidade para os olhos das pessoas, já a TV não se demorava sobre os assuntos de guerra. Afinal de contas para que alarmar a população? “O que os olhos não vêm o coração não sente”, talvez seja isso.
Todas as imagens desse documentário nos marcam muito. Mas o registro que ele faz na Indonésia de pessoas que moram muito próximos a linha do trem. Dando destaque ao homem que teve seu braço e perna esquerda amputados, depois de ser atropelado pelo trem, e que ainda permanecia naquele local com sua família. Aí nós podemos nos perguntar: Porque ele não saiu daquele ambiente, que pode acabar causando a morte dele e de seus familiares? Mas para onde ele poderia ir, e qual é a perspectiva de vida desses seres humanos? Se eles tivessem outra opção com certeza não estariam ali.
Aí está a beleza dessa carreira, despertar o debate da população. Nos questionarmos o porquê de tudo isso. A única certeza que temos é que alguma coisa está errada. Mas o que falta de verdade são ações para que mudanças aconteçam de fato. Imagens como essas tem esse objetivo, mas uma coisa triste acontece, a banalização do sentimento, ou seja, uma pessoa olha para fotos marcantes como essas e ficam impactados, e depois podem acostumar seus olhos aquele tipo de situação.
James Nachtwey acaba trazendo para si uma carga emocional muito grande devido aos conflitos que ele presencia. Isso é absolutamente normal, pois qualquer ser humano sentiria a mesma coisa. Olhar o sofrimento de perto não tem o mesmo efeito que uma imagem traz.
O Mais intrigante é que James, ao contrário de muitos colegas de profissão, não tenta esquecer todos esses momentos que ele testemunhou se embreagando, saindo para se distrair com os amigos. Talvez se ele o fizesse poderia se distanciar e apagar de sua memória, nem que fosse apenas por um instante, o sofrimento daquelas pessoas.
Talvez aí haja a diferença deste fotojornalista para os demais. Um homem tímido e solitário, que tem como única meta trazer a realidade do mundo. Que procurava obter o trabalho mais impecável possível. Nem que para isso tivesse que repetir os processos de ampliação diversas vezes. Muitas vezes ele mergulhava em seus pensamentos. Uma pergunta que ele fazia a si próprio era: “Será que estou me aproveitando do sofrimento dessas pessoas?”
Contudo, não é isso o que parece, porque se não fossem os fotógrafos, nós nunca conheceríamos a realidade. O mundo já se transformou muito graças a esses profissionais. A África, por exemplo, quando Kevin Carter foi para o Sudão cobrir a imensa tragédia da fome, acarretada pela guerra civil, ele fez a foto que mudaria toda sua vida. O Abutre que se aproximava de um menino caído, tudo levava a crer que o animal comeria a criança.
Kevin optou por registrar aquele momento, para que o choque fosse tão grande que a sociedade visse aquela situação e agisse. Ele foi muito criticado, muitos consideraram falta de humanismo da parte do profissional. A repercussão foi tão grande que ele acabou suicidando-se. Mas ele não estava se aproveitando ele queria desencadear um debate. Foi isso que aconteceu. Várias mudanças aconteceram depois que os fotógrafos mostraram a situação desumana em que aquela população vivia.
Uma prova clara de que esse profissional, muitas vezes, se preocupa mais com as outras pessoas do que com ele mesmo. É quando James faz fotos em uma mina de extração de enxofre, colocando em risco sua saúde. É claro que ele se preocupa com sua carreira, e essas fotos seriam importantes para seu sucesso profissional. Mas ele poderia ter escolhido algo mais fácil, porém preferiu, mesmo expondo sua saúde, levar aquelas imagens às pessoas.
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